O encontro - Parte II

- Para onde vamos?

- Pensei em um restaurante, pode ser?

- Sim.

Uma mistura de sentimentos que ela não conseguia definir e nem mensurar percorria seu corpo. De um lado, o medo de estar ao lado e no carro de um desconhecido e do outro, aquela sensação de paixão. Aquela, sabe, que deixa a pessoa nas nuvens, flutuando.

Ele não conhecia algumas partes da cidade e, por isso, procurou o endereço do restaurante no celular e ligou a opção GPS. Pediu que ela segurasse o celular e o conduzisse para o caminho que a tela mostrava, mas ela estava nervosa e para amenizar começou a falar. Falar, falar e falar. Precisava disfarçar. Sentia o coração sair pela boca e um frio na barriga, na coluna. Foi quando perceberam que tinham errado o caminho. E um culpou o outro, num clima brincalhão e gostoso.

Decidiram então caminhar na orla da cidade, sentar num banco, comer um churros ou tomar um sorvete. Qualquer coisa servia. E assim fizeram. Caminharam e depois sentaram. Ela contou sua história e, em certo momento, uma lágrima rolou em sua face. Estava trilhando um caminho escuro e difícil, mas foi o que escolheu. Por fim, ele também contou sua história e dentro dela uma admiração maior começou a brotar, e ainda, ele falava com simplicidade e humildade. 

Imagem: Google

Será mesmo que o Cupido acertou a flechada desta vez? Não, não, calma. Ainda falta muita coisa. Duas horas já se passaram e nem um beijo saiu. Será que ele estava gostando do encontro? E se ele nem quisesse beijá-la? O coração estava a mil.

Levantaram e caminharam. O tempo todo ele estava preocupado porque não a levou para jantar. Ela disse que não estava com fome. Mal sabia ele que as sensações que ela sentia naquele momento abafaram toda e qualquer fome. Ele estava com vontade de comer sushi. E nessa hora, descobriram a primeira diferença. Ela odeia sushi. Por sorte, tinha um trailer de temaki na orla da praia.

Conversaram sobre tantas coisas e até mesmo sobre o quanto estranho e incrível era o fato de estarem juntos há apenas algumas horas e a sensação que ambos sentiam era a de se conheceram há anos. A afinidade nos assuntos e brincadeiras era a prova.

Andaram mais um pouco e pararam em um mirante que ficava logo acima da praia. Foi quando ele se aproximou e um beijo saiu. E para ela, foi como se um sininho soasse um som daqueles de varinha de fada de contos infantis que quando encosta em algo, transforma. Abriram os olhos e sorriram.

O tempo passou rápido. Era hora de voltar para casa. Ele pegou um caminho diferente do que fizeram na ida. Era escuro e não tinham casas ao longo da estrada. Apenas mato. Um medo percorreu seu corpo novamente e, por alguns minutos, aquela sensação de flutuação e paixão ficou para trás. O que ele foi fazer fora do carro a hora que estavam saindo de casa? E agora, porque estão passando por esse lugar abandonado? Não sabia o que pensar.

Respirou aliviada quando percebeu que já estavam perto de onde estava hospedada. A sensação de paixão voltou, mas era hora de se despedir – e não conseguiam. Ficaram meia hora conversando dentro do carro e, apesar do bom sentimento que os envolvia, tudo era muito incerto, afinal, ela estava viajando e no outro dia partiria.

Quando ele chegou em casa, começaram a trocar mensagens e assim ficaram por mais de uma hora. Ela adormeceu com o coração transbordando e no dia seguinte acordou cedo. As sete horas da manhã já estavam trocando mensagem. Ela já estava de partida e comentou que ficaria mais de um mês em outra cidade, percebeu do outro lado, pelas mensagens, que ele ficou desapontado.

Ela prometeu voltar, mas ele não sabia se ela realmente voltaria. Parecia aventureira, do tipo que segue a vida sem muito se importar com quem deixa para trás. O que ele não sabia é que agora, pela primeira vez em 30 anos, ela finalmente tinha sentido uma sensação, uma paixão, um amor diferente – e ao que tudo indicava, verdadeiro. O coração dela também estava apertado com a partida, mas ao mesmo tempo transbordava amor, e, lá no fundo, apesar de tanta escuridão, ela sabia que voltaria e ficariam juntos para sempre. 


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