O encontro - Parte I

Separou uma roupa e não gostou. Separou outra. Também não gostou. “Ai meu deus, o que eu vou vestir?”, perguntou a si mesma. Conferiu o celular e respondeu à mensagem que acabara de receber com a palavra “combinado”. Ele viria às 19h. Separou um short jeans claro e uma blusinha preta, frente única, que usava com um top. Olhou o relógio e correu para o banho, mesmo faltando duas horas para o encontro. Não entedia o porquê de tanta adrenalina. Nunca se sentiu assim, tão eufórica para um encontro. Teria encontrado mesmo o amor da sua vida?

“Não, não era possível”, pensou enquanto tomava banho. Devia ser mais uma brincadeira do Cupido. Ele sempre fazia isso, embora desta vez, a sensação fosse outra. Saiu do banho, enrolou a toalha no cabelo e começou a se arrumar. Por um minuto, deixou a sensação de romance de lado e pensou nos riscos, no perigo. Ainda não estava acostumada com a ideia de conhecer pessoas pela internet e sair com elas – pelo menos não fora de sua cidade, durante uma viagem.
Imagem by Mariana Valente - Pinterest

Instalara o Tinder – aplicativo de relacionamentos – por indicação de uma amiga. Quando o aplicativo começou a ser usado, fez duras críticas: “Isso aí é muita pegação. As pessoas só querem sexo.” No entanto, foi vencida pela curiosidade e pelo tédio de um fim de semana sozinha em casa e sem pessoas novas para conversar. Instalou e um tempo depois de usar, começaram as amizades. O que pensava sobre o aplicativo, caiu por terra. Encontrou pessoas para falar de livros que tanto ama. Passou a ser conselheira e aconselhada por muitos. Estendeu os laços e começou a dividir novidades do dia a dia com os novos amigos. Alguns sequer conheceu pessoalmente, mas sentiam um carinho e respeito recíproco. Marcou encontros também, mas seu olho não brilhou.

Sempre se sentiu segura nos encontros em sua cidade, afinal, ela ia de carro para lugares que conhecia e com movimento de pessoas, mas agora estava em uma viagem, longe de casa, em território totalmente desconhecido e ansiosa, muito ansiosa para conhecer o rapaz com quem trocava mensagens há quatro dias. Não podia voltar atrás, já tinha combinado. Não é que não podia. Ela não queria. Estava decidida arriscar. Acontecesse o que acontecesse precisava conferir que sentimento era aquele que estava sentindo.

Ele chegou. O coração disparou. Pegou o celular e chamou o elevador. A mão tremia. Abriu a porta de saída do prédio e quando pisou no primeiro degrau viu alguém lá embaixo à sua espera. Não podia erguer os olhos porque precisa se concentrar nos pés e nos passos nervosos. A escada tinha um formato assim > e quando estava nos últimos degraus, ergueu o olhar. Não acreditou. Ele usava uma camisa com sua cor preferida. Não é possível. Ela ama verde. E sorrindo se abraçaram.

- Quer dar uma volta?

- Vamos.

Encantada nem lembrou que não conhecia a cidade. Entrou no carro e uma sensação de medo percorreu seu corpo quando ele disse:

- Só um minutinho, vou ver uma coisa aqui atrás.

E saiu do carro. Foi até o porta-malas e voltou. Ela sentiu o rosto arder e não pensou coisas boas. “O que ele foi conferir? O que estava tramando para aquele encontro?”. Estava ainda mais nervosa. Ele voltou, ligou o carro e saíram.

Continua no próximo capítulo


Comentários