A Baleia Azul somos nós

A Baleia Azul é um jogo. Não, não é um jogo. É uma ilustração da nossa realidade e representa nós, seres humanos. O peixinho é um aviso, um grito, um sinal de alerta. Um sinal de perigo no mar chamado mundo. O peixinho veio avisar que falta amor no mundo. Que há uma tristeza no coração das pessoas. Que, aos poucos, estamos morrendo – por dentro e por fora. A Baleia Azul somos nós enquanto “humanos”, enquanto sociedade e família.

A Baleia Azul não mata ninguém. Começamos a morrer muito antes dela aparecer. Na verdade, ela só chegou para “acalmar” os corações que tanto sofrem diante da nossa falta de insensibilidade, da nossa falta de compaixão com o outro. Os corações que não foram socorridos a tempo e tanto se decepcionaram com nós. Eles esperavam amor, mas os deixamos vazios.

Nós somos a Baleia Azul. Nós nos devoramos uns aos outros como se fossemos comidas, objetos. É muita falta de respeito, de olhar o outro, de emprestar o ombro. É muita falta de amor e o mundo está gritando. As crianças na Síria. Os refugiados. Os venezuelanos, os brasileiros. O mundo todo está doente. E ainda, ao que tudo indica, uma terceira guerra mundial vem aí para provar que há mais ódio que amor. Há mais disputa que compaixão. Há mais preocupação com dinheiro do que com humanos. Nós nos tornamos uma Baleia Azul. E o jogo é a vida. Essa vida frágil e tão linda que nós, baleias, a tornamos um lugar obscuro e difícil de viver, de conviver.

Imagem: Google (vix)

Desde que o mundo tomou conhecimento do tal jogo da Baleia Azul em que jovens estão se suicidando depois de seguirem os passos do jogo, tenho acompanhado a reação e visão de algumas pessoas no dia a dia e no facebook diante do fato. Memes com um chinelo dizendo que é isso que falta nessa geração. Fotos de carteira de trabalho com mensagens que dizem: quero ver jogar esse jogo. Enfim. Pessoas para julgar não falta. Mas, conhecem a realidade desses jovens que estão a tirar a própria vida? Habitam seus corações? Sabem sobre suas dores? Se ganharam amor, proteção e porto seguro na infância. Se não são vítimas de problemas sociais, de abandono, de abuso, de falta de compreensão, de conversas - que se transformaram em revolta, em falta de amor próprio e em desilusão.


A Baleia Azul é um monstro que habita em todos nós. Quem nunca passou por uma fase difícil na vida? Quem nunca chorou dias e não viu saída para os problemas? Mas alguns de nós tem a sorte de ter família, amigos, conhecidos em quem podemos confiar, nos apoiar nos momentos de dor. Já parou para pensar que talvez essas pessoas não tenham com quem conversar? Não possam contar com a presença e o apoio de um pai, de uma mãe? Já parou para pensar que nem todo mundo consegue falar de suas dores porque é julgado, humilhado e reprimido? Já parou para pensar que pode acontecer com você? Pode ser seu filho, seu irmão, colega, vizinho ou amigo que está triste por dentro e você aqui fora, pessoa mais equilibrada do mundo, mais amada, mais compreendida, mais desprovida de problemas, ao invés de achar, disseminar a ideia de que isso tudo não passa de falta do que fazer, de laço, que tal espalhar amor, dar a mão, o braço, o peito e tentar abrir os olhos para o que está acontecendo com o mundo, se informar mais sobre como andam as relações humanas, os valores humanos e reparar mais em que está por perto? Tentar compreender a dor do outro e oferecer ajuda. Antes que todos sejam devorados. 

Comentários

  1. Ótima reflexão! Precisamos de menos julgamento e mais empatia com a dor do outro.

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