Cidades que ensinam

Aprendemos com os erros. Com os mais velhos e mais novos. Aprendemos com o tempo, com o cotidiano e a convivência. Aprendemos com a vida, com a escola, com a rua e as cidades. Ah! As cidades, os lugares. Cada um com suas particularidades e cultura.

Aos 18 anos me mudei para Balneário Camboriú, litoral norte de Santa Catarina. Cidade baladeira que não dorme. De bares, de universitários, de incontáveis imobiliárias, farmácias e carros de luxo. Cidade de arranha-céus e de gente que ostenta – com ou sem dinheiro. Lugar onde “ninguém nasce”, mas todo mundo vai parar, de férias, por uma temporada ou para morar. Balneário Camboriú adota os brasileiros e, assim como todos os lugares, ensina com seu jeito de ser.

Com uma rotatividade muito grande de pessoas indo e vindo, ao longo de 10 anos, a coisa mais importante que Balneário Camboriú me ensinou foi praticar o desapego. Ali, mais que em outros lugares, ninguém pertence a ninguém.  É como se as pessoas que por ali passam fossem borboletas. Hoje elas pousam em você, mas amanhã vão embora. E não há o que fazer, a não ser aproveitar o momento.

Balneário Camboriú me ensinou também que o capitalismo excessivo vivido por tanta gente rica na cidade é o que mais destrói os homens, porque ele cria diferenças de classes, afasta as pessoas e faz com que os valores humanos se percam. A preocupação com o outro fica cada vez mais distante e o individualismo cada vez mais presente. A ganância pelo luxo faz esquecer que a natureza é essencial à vida e às pessoas, e que “o homem mais rico é aquele que menos precisa para viver”.  


E com o tempo, você percebe que quem anda com carro de luxo, geralmente está sozinho e que quem se aproxima é só por interesse. Então, você descobre que a felicidade pode estar presente quando você anda de bicicleta ou de ônibus, porque é mais divertido. E, então você percebe – e aprende - que não faz sentido gastar dinheiro com roupas de marcas, freqüentar lugar caríssimos e fazer parte de grupos que só se importam com o que você tem, porque depois de um tempo você descobre que há um vazio nisso e que o que realmente importa e te preenche, te faz feliz vem do coração, dos laços, dos pequenos gestos. A felicidade é tão simples que pode estar disfarçada entre os grãos de areia da praia, e é uma pena que a maioria esteja procurando ela “nas grandes coisas” que só o dinheiro faz existir.

Foto: Keila Zanatto

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