Um rio negro

“Vimos uma boca de outro grande rio, à mão esquerda, que entrava no que navegávamos e de água negra como tinta e por isso lhe pusemos o nome de Rio Negro.”

Foto Keila Zanatto

Esta é uma das primeiras anotações sobre o Rio Negro. Feita pelo escrivão Gaspar de Carvajal, Frade da Ordem de S. Domingos, em 1542, a observação foi registrada quando, juntamente com o espanhol Francisco Orellana, desceu o rio Amazonas pela primeira vez. Mas só em 1616, com a expedição do Capitão Pedro Teixeira – o conquistador da Amazônia é que as regiões banhadas pelo Rio Negro começaram a ser desbravadas.

O Rio Negro é o maior rio de águas escuras do mundo e o segundo maior em volume de água, perde apenas para o Rio Amazonas. Todo ano, nos meses de junho e julho, devido à grande quantidade de chuva, o Rio Negro transborda e alaga populações ribeirinhas. De agosto até janeiro, as águas vão sumindo e a navegação fica restrita. Alguns lugares, como o município de São Gabriel da Cachoeira – região com muitas pedras e bancos de areia, ficam isolados. As balsas com comida não chegam até a cidade. Só a partir de março é que as águas começam a subir novamente.  


Um rio cor de coca-cola. Não há comparação melhor para descrever as escuras águas do Rio Negro. A principal explicação para tal cor é a acidez liberada pela decomposição de plantas, folhas e troncos de árvores que o rio encontra em seu percurso pela floresta amazônica desde a sua nascente na Colômbia. Até mesmo quando se encontra com as barrentas do Rio Solimões, o Rio Negro, forte e resistente, insiste em ser do jeito que é e, num verdadeiro show da natureza, não se deixa misturar. O encontro das águas, na cidade de Manaus, forma o maior rio do mundo, o Amazonas.

Foto Keila Zanatto

Comentários