Lochte e a Teoria da Janela Quebrada

Não vejo outra explicação para Lochte, senão a Teoria da Janela Quebrada. Sou suspeita falar. Sou fã desta Teoria. Ela é o começo e o fim de todas as coisas. Penso que quando o mundo entender e começar a trabalhar em cima da Teoria da Janela Quebrada, grande parte dos problemas globais serão resolvidos, mas isso é assunto para outra hora. Vou destacar aqui somente o caso do nadador americano. Vamos lá?

Quem é Lochte?
Ryan Lochte é americano e atleta de natação dos jogos Olímpicos. Ficou famoso durante as Olimpíadas no Rio após relatar ter sido vítima de assalto na madrugada carioca. Investigações apontaram que o americano mentiu e que não houve assalto, mas sim baderna e depredação no banheiro de um posto de combustível, e desobediência com os seguranças do posto.

Com bebida, drogas, exaltados ou não, Lochte e os amigos sentiram, viram, pensaram que no Brasil – o país conhecidamente conhecido como o lugar onde tudo pode e nada acontece – poderiam fazer o que bem entendessem. Afinal, o Brasil é um terreno propício para cometer tais atos.  

O que é a Teoria da Janela Quebrada?
A Teoria da Janela Quebrada surgiu nos EUA em 1982. Criada por dois criminalistas, a teoria trata de um modelo de combate e controle da criminalidade. Foi fundamentada através do seguinte experimento: dois carros idênticos foram colocados em bairros diferentes de Nova Iorque. Um com capô aberto, sem placas e vidros quebrados foi colocado em um bairro pobre e em 24 horas foi totalmente destruído. O outro, sem nenhuma danificação foi colocado em um bairro de classe média e ficou intacto por duas semanas. Um dos pesquisadores quebrou as janelas e a partir disso o carro foi totalmente destruído também. Nos estudos, os criadores utilizaram o exemplo de uma janela de uma fábrica. Se não houver o imediato conserto, com o passar dos dias as pessoas pensam que está abandonada e quebram as outras. Os criminalistas relacionaram a teoria com a criminalidade. Quando não há combate, repressão e controle ao crime há uma atração para outros crimes.

O experimento deixou claro que a diferença social não é a causadora do comportamento e de atos destruidores. Portanto, caem aqui os estereótipos de que pessoas e neste caso, americanos, pertencentes a países de primeiro mundo não comentem tais atrocidades. Já parou para pensar que o problema do mundo e de um determinado lugar não é o brasileiro, o americano ou o africano? Mas sim as ações de um determinado grupo de pessoas porque estas se multiplicam, se disseminam e infestam o espaço. Funciona com as coisas ruins e com as boas.  

Dráuzio Varella já escreveu sobre a Teoria e disse algo muito verdadeiro: “A deterioração da paisagem urbana é lida como ausência dos poderes públicos, portanto enfraquece os controles impostos pela comunidade, aumenta a insegurança coletiva e convida à prática de crimes.”


Todos sabemos a imagem que o Brasil e, especificamente, o Rio de Janeiro tem lá fora. O problema da criminalidade, das favelas, do lixo jogado nas ruas das cidades, das ações das pessoas e que ganha repercussão no exterior pode ser facilmente entendido pela Teoria da Janela Quebrada. E a solução? A aplicação de medidas que reverta o quadro e resulte em um lugar onde não haja espaço para a propagação de atos ilícitos e desrespeitosos.  

Foto: Blogdofabossi

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