Uma viagem para a alma

Conforto e um ótimo salário. Uma carreira de sucesso e uma agenda de compromissos e responsabilidades. Passar de uma renomada empresa para outra ainda melhor. Esta receita foi por longos anos utilizada por jovens e adultos. Essa geração, filha de uma cultura que ditou a fórmula de uma vida plena e de sucesso está acabando aos poucos. É que os resultados obtidos ao seguir as carreiras de status impostas pela nossa cultura foram outros. Transformaram pessoas em seres frustrados e estressados. O fato é que essa vida, insatisfeita para muitos, fez muita gente refletir, e agora, mais do que nunca elas começaram a ouvir o próprio coração – e segui-lo.

Conheça a história da Lizzy, uma jovem com uma carreira brilhante dentro de uma empresa americana que decidiu largar tudo e sair pela América Latina para dar asas à sua vida. Para fazer a “alma viajar”, para se perder e se encontrar.

                                                         Foto: Arquivo Pessoal de Lizzy

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Ela tem pele clara e olhos azuis. Fala espanhol, inglês e alemão. Nasceu na Alemanha. Estudou Engenharia Mecânica e Mecânica de Aeronaves e no último ano de graduação foi para o Chile para fazer o trabalho final do curso. Queria uma experiência nova – e teve muitas. Era agosto do ano de 2008 e Lizzy Guhl gostou do Chile. Decidiu adotar o país como novo lar. Conseguiu emprego onde trabalhou com energia renovável e otimização energética. Ficou três anos na empresa. Namorou e casou, mas um tempo depois, separou e resolveu fazer yoga. Era o ano de 2011 quando começou a trabalhar na americana AIG – companhia de seguros e, de repente, 5 anos se passaram num piscar de olhos. Lizzy começou a refletir. Tinha um emprego que não fazia diferença na vida das pessoas, não mudava o mundo de ninguém, apenas “tirava” dinheiro.

                                                       Esta é a Lizzy. Foto: Arquivo pessoal

No fim de 2015, a empresa enviou Lizzy à Frankfurt, na Alemanha para trabalhar um mês e na viagem ela conheceu um casal, professores de yoga. Eles passam 6 meses no Chile e os outros 6 na Índia, onde trabalham com aulas de música e vendem roupas. Lizzy ficou encantada com a vida deles e passou a refletir mais sobre sua vida.

De volta ao Chile, em dezembro, viajou para o Uruguai e na primeira semana de janeiro, ao chegar no trabalho chamou a chefe e pediu demissão. Trabalharia até maio e neste período organizaria um mochilão pela América. Já havia comprado, em novembro, passagem para ir à Machu Pichu em maio. Aproveitaria o ensejo.

Era dia 26 de maio de 2016, o dia da primeira aventura sozinha. O destino? La Paz, Bolívia e depois Cochabamba, Sucre, Uyuni, Potosí, Lago Titicaca (fronteira Peru e Bolívia) e finalmente Cusco para traçar o Caminho dos Incas. Foram 4 dias de caminhada para chegar à Machu Pichu. De lá Lizzy seguiu para Foz do Iguaçu, ficou maravilhada com as Cataratas e depois o rumo foi Rio de Janeiro e em seguida Quito, no Equador. Tinha um casamento lá e precisava rever o namorado que deixou no Chile ao sair para o mochilão. Após a festa, voltou ao Brasil e foi se encantar em Fortaleza e nas dunas de Jericoacoara. O próximo destino?

Manaus, Amazonas. Lizzy fez um passeio de 3 dias. Cobras, aranhas, jacarés e uma paisagem de encher os olhos. Filmou a forte chuva, achou diferente a força com que a água cai do céu. Mas, foi na mesa de café da manhã, comendo bolo de chocolate, no apartamento onde moro que Lizzy me contou sua história.

“Quando comecei a viagem eu me perguntava no que iria trabalhar depois. Eu sabia que queria entregar minha energia para algo bom, para tocar as pessoas. E em todos os lugares que passei me deparei com a mesma mensagem. Encontrei pessoas que largaram seus empregos para trabalhar com coisas que gostam, para viverem de coisas simples e elas me ajudaram a decidir o que quero seguir.”

Agora Lizzy já sabe que quer ser professora de yoga e a inspiração nasceu no Sul do Brasil, mais precisamente em Foz do Iguaçu, onde se hospedou na casa de uma senhora que tem uma casa, onde aluga os quartos e dá aulas de culinária regional para hospedes, crianças e quem tiver interesse. Lizzy pensa em fazer o mesmo, mas com yoga. Quer ser terapeuta ayuvérdica – medicina tradicional e milenar da Índia que aplica ensinamentos que ajudam a levar uma vida mais leve, de energia e bem-estar, e também trabalhar com gestantes e bebês.

“Talvez eu ainda precise trabalhar mais uns dois anos para conseguir colocar a ideia em prática. Pretendo fazer traduções ou aulas de idioma”.  

Lizzy está decidindo onde fazer outros cursos, já viu duas opções, uma na Índia e outra nos Estados Unidos e também procurando um lugar para novo para morar e aplicar seus novos planos.

Além de descobrir o que quer seguir profissionalmente, a viagem ajudou Lizzy a mergulhar dentro de si. Ela passou muitas horas sozinha e refletindo. Viveu situações diferentes em lugares incríveis e conseguiu se conhecer melhor.

O relógio marca 11:30 e Lizzy precisa ir para o aeroporto. A viagem não para aqui em Manaus. Amanhã de manhã, do Rio de Janeiro, vai para o Panamá e depois Costa Rica, onde vai encontrar a mãe que vem da Alemanha para rever a filha e embarcar na aventura. Ainda tem Cuba e Miami no roteiro de Lizzy. E de lá, ao se despedir da mãe, ela ainda não sabe se volta para a Costa Rica ou se vai para Nicarágua e Guatemala, mas uma coisa já está certa. Antes de voltar ao Chile vai para o México – Monterrei e Praia de Carmen.

Ela criou uma página no facebook chamada “Viaje Del Alma” e um blog para contar as aventuras. Agora com um novo projeto de vida e trabalho traçado em mente, ela vai continuar a viagem e quem sabe conseguir decidir o próximo lugar que adotará como lar. 

Lizzy leva uma frase consigo: 
"No se viaja para escapar de la vida, se viaja para que la vida no se escape." 
(
Não se viaja para fugir da vida, se viaja para que a vida não escape.)

Para acompanhar as aventuras de Lizzy:
Blog: https://viajedelalmasite.wordpress.com/
Facebook:https://www.facebook.com/Viaje-del-Alma-861464047319983/?fref=ts


Comentários

  1. Não se viaja para fugir da vida, se viaja para que a vida não escape.)
    Te juro que se eu morresse amanha queria que isso fosse escrito na minha lápide. rs

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