Nação torcedora

Em mesa de bar ou na rua. Entre familiares e grupos de amigos. Onde quer que seja, falar as palavras “Caprichoso” ou “Garantido” em território amazonense é motivo suficiente para dar inicio a acirradas disputas de argumentos, onde cada um defende seu boi como o melhor.
Diferentemente do Rio Grande do Sul, onde as rivais torcidas, divididas em vermelho e azul, vibram com o futebol do Grenal - Grêmio e Internacional, no Amazonas, embora também divididos em vermelho e azul, a rivalidade é na dança, no folclore, na cultura preservada há décadas pelas gerações.

É para Parintins (AM) que uma multidão de torcedores corre todo ano para prestigiar o tradicional festival folclórico dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso. O evento começou a ser realizado em 1964 e não tinha como objetivo a disputa dos bois. Era só uma apresentação, mas as provocações e o espírito competitivo das torcidas mudaram o festival que passou a ter jurados e, ao fim de cada festa, um campeão. O evento acontece no último fim de semana do mês de junho.

                                          Imagem: Lu Paternostro

Para quem não faz parte da cultura amazonense e passa a conhece-la, o que mais chama a atenção é a forte rivalidade, o vestir a camisa de cada equipe, o espírito de competição e a garra das torcidas. Defendem com unhas e dentes o seu preferido.

A característica de espírito competitivo não é vista só com os amazonenses torcedores dos bois, mas com os de outros interiores também. Em Barcelos (AM), a cidade se divide em admiradores do Cardinal e do Acará-Disco – peixes ornamentais da disputa do festival que acontece todo ano, em janeiro. E em Santa Isabel do Rio Negro (AM), os jogos olímpicos chamados de Verde e Amarelo, dividem a população que chega a desfazer amizades em época de disputa. Passada a competição tudo volta ao normal, mas se alguém tocar no assunto é discussão na certa.  


É cultural, faz parte do cotidiano e da vida de cada um – uma característica que vem de berço e se fortalece nos grupos que escolhem fazer parte. Os amazonenses só torcem se for para valer e vibram tanto que se dependesse de energia, todos seriam campeões.     

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