Açaí à mesa: uma tradição de produção caseira e consumo diário

Pelo interior do Amazonas, ele aparece de porta em porta em garrafas pet. É vendido por ribeirinhos ou moradores da cidade que produzem em casa mesmo, manualmente. É consumido puro, sem adição de açúcar, em forma de suco, mas também com farinha de mandioca ou tapioca e degustado a colheradas. Há quem faça pirão para comer com peixe.


                                                            Foto: Keila Zanatto                       

Já nas cidades brasileiras, é misturado com banana, morango, granola, guaraná, leite condensado e açúcar. Seja qual for a forma consumida, o açaí continua sendo uma fruta de grande importância para a subsistência de muitos habitantes da região norte do Brasil. Nas demais regiões do país se tornou o queridinho de muitos brasileiros depois dos anos 80. Da mesa dos povos amazônicos para o mundo. O açaí ganhou espaço e é comercializado em todos os cantos do planeta em forma de sorvete, picolé, suco ou como uma pasta homogênea para ser servido em tigelas com frutas. 

Típico da Amazônia, mas já adaptado em outras regiões brasileiras, o açaí é uma fruta de cor roxa que combate o colesterol ruim e auxilia a circulação e a osteoporose. É rico em cálcio, potássio, ferro e fósforo. Tem grande concentração de antioxidante e previne o envelhecimento. 

A palavra açaí vem do tupi yasa’i e significa “fruta que chora” devido ao processo de retirada do suco. A tradição, no norte do Brasil, é primitiva e não falta à mesa dos nativos.

O açaí nasce de uma palmeira longa e fina, de tronco sem espinhos, roliço e de cor clara chamada açaizeiro. Chega a medir de 20 a 25 metros e nasce em terra firme próxima à igarapés, várzeas e rios. Cresce em touceiras com até 20 palmeiras, mas somente umas três palmeiras produzem o fruto. Cada árvore possuí de 6 a 8 cachos. 

                                                              Foto: Keila Zanatto

As folhas atingem até 2 metros de comprimento e são usadas, pelos ribeirinhos, para cobrirem as casas e na confecção de chapéus, cestos e vassouras. As flores do açaizeiro são amarelas e miúdas.

Os frutos nascem em cachos que pesam em torno de 2 a 3 quilos nos meses de outubro a janeiro. A escalada para retirada da fruta é feita com o auxilio de um trançado de folhas de árvore, chamado peçonha que são amarrados nos pés de, geralmente, homens magros e no caule. 

O processo manual utilizado por ribeirinhos para produção de açaí é simples. Como acontece na casa da Dona Elaine, em Santa Isabel do Rio Negro, AM, onde o marido e o filho auxiliam na produção. Dona Elaine explica: “primeiro a gente ferve a água e deixa o açaí de molho uns três minutos, depois amassa os caroços para soltar a polpa e retirar o vinho. Aí é só separar os caroços da água e peneirar o suco”. E assim o açaí está pronto para ser colocado nas garrafas pet e vendido de porta em porta. Mas, dos quatro litros que Dona Elaine e a família produziram, dois vão para a vizinha que já reservou e o restante para a mesa da casa dela. É que açaí ali, não pode faltar.
Veja o vídeo da família extraindo o suco da fruta.


Vídeo: Keila Zanatto

Vale lembrar que nem todo processo é assim. Existem os industriais e os feitos em casa, por moradores, através de uma máquina. O caroço é utilizado como miçangas pelas artesãs na produção de colares e brincos.

Em Manaus e nas demais cidades brasileiras que incluíram o açaí no cardápio, a fruta é vendida como picolé e sorvetes ou cremoso em copos e tigelas, e os adicionais ficam a critério do cliente. Guaraná, banana em calda, leite condensado, granola, aveia e uma infinidade de coisas que ferem a tradição dos nativos do interior, onde colocar açúcar é uma forma de “assassinar” a tradição herdada de seus antepassados e cultivadas até hoje através de gerações e gerações que não vivem sem o açaí. 

                                                               Foto: Keila Zanatto

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Outras fotos da produção manual de açaí às margens do Rio Negro

                                                              Foto: Keila Zanatto

                                                               Foto: Keila Zanatto

                                                                Foto: Keila Zanatto









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