Uma coleção de valores históricos: o acervo de Bernardo Ramos

Álbum de figurinhas, cartão de telefone, chaveiros ou canetas. Certamente em alguma fase da vida você colecionou algo e, com isso, trocou "figurinhas" com um colega, irmão ou vizinho. Talvez você tenha ido além com a coleção, como viajado para outras cidades ou contatado pessoas desconhecidas. 

Independente de como e o que colecionou, o fato mais importante é: colecionar é muito mais que acumular objetos. É interação. É exercício para a memória. Aprendizado e felicidade. Colecionar é poder acompanhar a evolução da humanidade e das coisas através de objetos. É poder contar a história do mundo e a própria história para outras gerações. 

Existem coleções que duram para sempre, mas algumas são de estações, de fases, passageiras. A empolgação, o amor e a dedicação aos objetos termina. Perde a graça, o sentido. É hora de se desfazer ou então, passar adiante - como Bernardo Ramos fez. 

-Ele foi vereador e exerceu cargos públicos aqui em Manaus, conta Ronald, guia de museu. 

Filho do fundador da imprensa de Manaus (AM), Bernardo Ramos era arqueologista, linguista e comerciante. Fundador do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e dono de um acervo invejável. Rodou o mundo e as cidades brasileiras, e nestas idas e vindas reuniu muitas peças. Começou a coleção no século XIX. O objeto que Ramos colecionou move o mundo desde os primórdios e se chama: moeda. 
 
-Em 1898, além do acervo que ele já tinha comprou uma outra parte do pernambucano Manoel Peregrino e anexou os itens com a sua coleção, explica Ronald na sala do Museu Numismática do Amazonas, onde a coleção está expostas. 

    Três das 8500 peças do acervo. 
    Foto: Keila Zanatto 

Peças de todos os tipos e tamanhos, de todos os cantos do mundo. De antes de Cristo e depois de Cristo. Império Romano, Grécia e Roma Antiga. Europa, África Ocidental e Oriental. Oceania. Moedas portuguesas, condecorações, medalhas de vários países. E claro, as primeiras moedas e cédulas que circularam no Brasil. Mais de 8500 peças formam o acervo de Ramos. 

Mas o amor do colecionador ao acervo acabou ou teria sido por dinheiro? Ou então, por querer deixar a riqueza histórica que tinha em mãos para outras gerações, para que o mundo todo pudesse visitá-la e admirá-la. Por algum motivo desconhecido, Ramos decidiu passar o arquivo adiante. 

-Em 1899, ele vendeu a coleção ao governo do Amazonas, que toma conta até hoje. 

As únicas peças acrescentadas pelo governo foram as que dão continuidade à evolução das moedas e cédulas brasileiras. O órgão é responsável pelos objetos e mantém o acervo exposto no Palacete Provincial, localizado em Manaus. 

Bernardo Ramos morreu em 1931 no Rio de Janeiro. 


Comentários

  1. Bacana, achei um vídeo do sr Bernardo Ramos no YouTube, provavelmente de 1930 em Massachusetts divulgando seu livro "Inscripções e Tradições do Brazil Pre Historico" ... acho que seria interessante tentar passar o link para alguém desse museu, se puder ajudar, aí está ... https://www.youtube.com/watch?v=bIvT-K28-KM

    ResponderExcluir

Postar um comentário