Um bandoleiro chamado Elisio

Dirceu e Jerônimo estavam no bar quando Seu Antônio e o menino chegaram com a carroça. A dupla bebia ali desde antes do almoço e assistiram o homem ser baleado como se assistissem um filme. Estavam com as pernas bambas e não levantaram do banco nem para olhar.

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A maioria dos habitantes do vilarejo andavam armados. Quando iam à igreja deixavam as armas do lado de fora. A construção tinha um espaço entre a terra e o assoalho e era ali, embaixo da igreja que os homens colocavam suas armas. Nem todos que andavam armados eram bandoleiros, é que naquela época andar armado era uma questão de defesa, de sobrevivência. Puxar a arma da cintura era a solução em uma discussão e Elisio era mestre nisso. Por ali, ninguém levava desaforo para casa. 

Ele era capataz de uma fazenda e bandoleiro. Daqueles com tiro certeiro e que não perdoa ninguém em uma discussão. Havia comentários de que Elisio estava morando no vilarejo só porque já havia matado demais em outros lugares. 

Naquela tarde de 1958, no bar, após matar Seu Antônio, Elisio ordenou que Dirceu e Jerônimo fossem embora, mas eles não obedeceram. Foi então que puxou-os pela camisa e jogou-os para fora do bar. Acompanhou os irmãos até os cavalos, ajudou-os a subir e disse novamente que fossem embora senão, mataria-os também. Eles foram. 

Tudo poderia ter terminado ali, mas no vilarejo ninguém leva desaforo para casa. Dirceu e Jerônimo voltaram. Discutiram e, como de costume, Elisio puxou o gatilho e matou Jerônimo. Dirceu fugiu e se escondeu na encosta do rio. 

Elisio caminhou até uma das casas do vilarejo. Pediu pão. Sentou e comeu. Em seguida levantou e saiu à caça do inimigo. Com olhos de gavião, viu quando Jerônimo ergueu a cabeça e rápido feito bandoleiro que era acertou o olho esquerdo do inimigo. 

Elisio não ficou mais muito tempo pelo vilarejo. Há boatos que foi morto pela polícia, mas ninguém soube seu verdadeiro paradeiro. Talvez tenha ido para outro vilarejo. 

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