O menino da carroça


O menino puxou a corda dos bois e deu as coordenadas para que eles virassem e voltassem para casa. Sentiu um aperto no coração e na garganta. Parecia que tinham lhe cravado uma faca no peito. Engoliu seco e, entre um pulo e outro da carroça, desejou que aquilo fosse um sonho. 

Luís era um menino de oito anos. Pobre. Nascido no interior. Andava descalço. Passava a maior parte do tempo com o pai, Seu Antônio. Acompanhava-o na roça e onde quer que ele fosse. Moravam em uma casinha de madeira muito antiga e pequena que pertencia ao avô. Mas, os dias da casa velha estavam contados. Em breve construiriam uma nova. 

A casa de Luisinho ficava a mais ou menos dez quilômetros do vilarejo. Aquele, de estrada de pedra, plantações, casas e armazéns, açougues, lojas e bares. O mesmo vilarejo que os irmãos Cabreira frequentavam. 

Naquela manhã, o menino acordou e olhou para o lugar onde estavam construindo a nova casa. Teria um quarto para ele e os outros dois irmãos. Na casa velha, Luis, o pai, a mãe e os irmãos dormiam no mesmo quarto. Ele estava radiante.

No início da tarde, o menino e o pai arrumaram os bois à carroça e partiram para o vilarejo. Iam buscar telhas para cobrir o novo lar. Ao chegar na vila, Seu Antônio viu alguns amigos no bar e decidiu entrar só para tomar um trago. O que ele não viu antes de entrar no bar foi seu inimigo, Elisio. 

Elisio era bandoleiro e matava quem lhe desrespeitasse ou simplesmente para dizer: ganhei mais essa.

De cima da carroça, o menino ouviu a discussão. E não demorou para que a tristeza tomasse conta do pequeno. Elisio puxou o gatilho e Antônio foi arremessado para fora do bar. Luís viu o pai ser morto. Seus olhos ardiam. Olhou para o chão onde o pai estava e pressionou os olhos ao ver o sangue nas roupas. Foi então que puxou a corda dos bois e direcionou a carroça para casa. Precisava correr para os braços da mãe e contar o que fizeram com o pai. O pai que ele tanto amava. 

Mas a sede de matar de Elisio não parou por aí, o que parou foi o sonho do menino Luís. O sonho de ter uma casa e ser feliz com seus irmãos, mãe e pai. O pai. O pai...

Continuação amanhã dia 23/04. Não perca!

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