Paz interior, paz de interior

Não há duvidas de que o mundo está sem amor, sem paz. Não precisa ler jornal e nem sair do país para perceber. É só reparar à sua volta. Quando o assunto é compreensão, bem-estar e generosidade estamos num regresso gritante. A situação entre os seres humanos está tão doente que é como se, o amor, a bondade e todas essas coisas, embora “abstratas”, pedissem socorro emitindo sinais através dos acontecimentos cotidianos e nós continuamos cegos, individualistas e correndo atrás de coisas fúteis.

Ultimamente tenho encontrado algumas pessoas que eu via com freqüência na infância e me chamou a atenção o fato de, vinte anos depois, estarem praticamente iguais. Nem rugas, nem cabelo branco. Parece que pararam no tempo. Todas moram no interior – leia-se zona rural da cidade, sitio, campo. E por minutos me peguei pensando em como, antigamente, essas pessoas que trabalhavam na roça tinham a aparência mais velha e sofrida que as da cidade. Calos nos dedos e pele marcada pelo sol, mas este quadro se inverteu.

O capitalismo, do meu ponto de vista, é o principal responsável. Ele entra de mocinho e vilão ao mesmo tempo nessa história. Se por um lado acabou com os calos e cooperou trazendo tecnologia aos agricultores, por outro está matando, aos poucos, as pessoas da cidade.

A vida no interior desconhece todo o mal que enfrentamos no cotidiano da cidade. Não acordam com barulho à noite e nem enfrentam buzinas desagradáveis e trânsito. Acordam com o silêncio ou, no máximo, com barulho de pássaros e galos. Não enfrentam falhas de sistemas, nem precisam perder a paciência com computadores, muito menos passar horas no telefone com operadoras para resolver a falta de internet. Tomam água da torneira, comem saudavelmente e convivem com animais e natureza.


O resultado dessa vida calma e de paz não se vê só na pele, no cabelo. Está também na fala, na maneira de tratar o próximo e no coração. E o bom é saber que, entre correrias e estresse, ainda temos um refúgio, um lugar para nos desenvenenarmos, mas tem que ser logo, antes que a natureza desapareça ou o mal das cidades chegue ao interior. 

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