Farinha do mesmo saco

Infelizmente não existe mundo sem política. Ela é o começo e o fim de todas as coisas. Somos regidos por ela o tempo todo. Nossa família, nosso trabalho e nossa cultura. Resumidamente, política é um conjunto de princípios e regras; é uma forma de organização que os seres humanos criaram para conduzir negócios de interesse público. Parece simples, mas na prática não funciona. É que essa organização se perdeu em alguma esquina das ruas do Brasil e os senhores de terno e gravata estão conduzindo os negócios de interesse publico para puro interesse e benefício pessoal.

Termos como cassação, corrupção, desvios de verba pública e lavagem de dinheiro viraram moda. É tanto escândalo que não dá mais para ver a política com bons olhos. Ela se tornou sinônimo de roubalheira, politicagem e visto através da política, o Brasil está mais para circo do que para futura economia mundial.

Saúde, educação, segurança são bases que a política tem como obrigação sustentar. Tem gente brincando de matar gente o tempo todo. Criança com fome e pais equilibrando um mísero salário. Pessoas morrendo porque atendimento médico é coisa para quem pode pagar e não para quem precisa. O Brasil está com todos os seus pilares ameaçados. Parte deles começou a ruir faz tempo. E, até quando vamos viver assim, em um país onde quase nada funciona e o que funciona é mais ou menos?

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Não sou fanática por política, nem revolucionária. Não nasci com espírito político. Não segui meu avô porque ele não ta presenciando o que eu estou. A política que ele viveu, dava gosto. Por esses, pelos últimos fatos políticos e por mais uns 30 motivos, esse ano eu resolvi não acompanhar pesquisas, debates e tudo o que diz respeito às eleições. Resolvi não discutir e não dizer para quem vai votar na Dilma que eles são alienados. E com um ar bem mesquinho, vou dizer que tô ignorando tudo para não me indignar. Mesmo assim, algumas coisas vieram parar bem na frente da minha cara:

- Dia desses a propaganda eleitoral em uma TV ligada, que não era a minha, me fez ouvir um “tacalepau Marco Véio” e olha que o cara nem se chama Marco. (não consigo lidar com essa ideia de misturar política com coisas que a tornam frívola desde a campanha).

- Na rua, com um pouco de exagero, eu parei de andar quando um carro de som espalhava um jingle de campanha com a música do Pintinho Amarelinho. (Continuo não conseguindo digerir essa ideia de misturar política com coisas que a tornam frívola desde a campanha).

- E terceiro, a notícia de um menino de 12 anos de Itajaí (SC), que foi velado em um vestiário porque teria debate político no salão do centro comunitário. (Eu não quero pensar no rumo do mundo).

Que me desculpem os defensores de “vote consciente”, de “escolha bem seu candidato”, mas dessa vez eu decidi NÃO VOTAR. E só volto quando alguém me provar que a política não é esse circo. Até que acabem esses escândalos, até que levem esse país a sério e organizem, mexam nas bases e salvem os pilares. Salvem o meu orgulho de ser brasileira e salvem os direitos básicos dos brasileiros de terem saúde, educação e segurança. Salvem a nossa confiança, a nossa crença e nosso sonho de um país melhor. Enquanto isso não acontece, meu manifesto é de silêncio, de recuo e de olhos fechados. Só abro quando devolverem meu otimismo e confiança - e com ações, não com promessas.

Podem achar errado, podem me criticar, mas são tudo farinha do mesmo saco. Vão andar de jatinho e gastar dinheiro público em beneficio próprio até o fim dos tempos. Não vão baixar salários de senador coisa nenhuma, o salário mínimo vai continuar sendo mínimo e o leite nunca mais vai custar 1 real. A política já não é mais um “negócio de respeito” e o Brasil nunca mais vai viver uma era de políticos como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitsccheck. E infelizmente nenhuma aula de história mais vai falar das coisas boas e dos progressos do nosso país. Por que não é isso que ta acontecendo. 


Comentários

  1. Velar um menino em um vestiário...trabalhei com políticos em Brasília (aqui se depende deles para tudo) e sei do que são capazes. Vi coisas piores. Meu coração já está velho, cansado, sinto como se tivesse 80 anos e sinto nos ombros o peso do mundo. Todavia, segue-se diariamente, de desconcerto em desconcerto, caminhando a passos lentos a nossa humanidade. Deo, miserere nobis. Parabéns pelo Blog, de seu amigo de Brasília, Leonardo.

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  2. Politica é um mal necessário, infelizmente.

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