Menores: os novos personagens das cenas de crimes

Recentemente a Policia Civil do Rio de Janeiro abriu inquérito para apurar a seguinte cena: Imagens de dentro de uma viatura com dois policiais que após atenderem uma ocorrência de roubo, levaram três meninos menores de idade para o alto do morro do Sumaré. A imagem foi interrompida no momento em que chegaram ao topo do morro e continua quando a viatura está descendo. Segundo Edval Novaes, subsecretário de Comando e Controle, quando o carro é desligado, minutos depois o sistema desliga o equipamento de filmagem. Quando a imagem parou, disparos foram efetuados. Um dos meninos foi encontrado morto no morro, o outro levou dois tiros, mas sobreviveu e o terceiro foi liberado.
Não vou entrar na questão do acontecido porque a história ainda não foi esclarecida. O fato aqui é que essa ação dos policiais me fez pensar em duas coisas.

Primeiro: nunca parei para pensar como é frustrante ter uma profissão onde é preciso resolver problemas, mas os problemas nunca são resolvidos, ou melhor, são resolvidos provisoriamente. Não por falta de vontade ou algo do tipo, mas porque vivemos dentro de um sistema muito errado e fracassado e o pior é que todo mundo sabe, todo mundo vê e o negócio continua afundando. A polícia prende, mas o sistema carcerário não tem capacidade para receber tantos infratores. Então um policial é chamado para atender uma ocorrência de roubo, prende e na semana seguinte é acionado para atender mais um chamado, dessa vez de latrocínio – roubo seguido de morte. Porque o ladrãozinho já foi solto e não vai ficar a vida inteira só roubando, ele quer crescer na hierarquia do crime e vai se especializar. Já escolheu esse caminho e tá disposto a tudo o que a “instituição” manda e oferece. Então para surpresa dos policiais, os personagens da cena são os mesmos da semana anterior porque, dentro desse sistema, esse sujeito já não tem mais conserto, o cara já entrou pra merda (sem perdão da palavra mesmo) e é bem difícil sair ou alguém já viu um individuo sair da prisão e ir recomeçar a vida, trabalhar honestamente e sustentar uma família? O Afro-X foi uma exceção e se existe um em cada cem que “se conserta” não faz a menor diferença nessa bola de neve.  

E segundo que o número de menores envolvidos na criminalidade não para de crescer. A lei não ajuda e nada está sendo feito para reverter isso. Se o problema tá chegando até a polícia e o sistema carcerário não funciona e não resolve é preciso prevenir na base - onde ele nasce e se desenvolve, a infância. E a única solução é a EDUCAÇÃO. Ainda não encontrei outra frase que melhor explique isso, se não do grande Paulo Freire: NÃO É POSSÍVEL REFAZER ESTE PAÍS, DEMOCRATIZÁ-LO, HUMANIZÁ-LO, TORNÁ-LO SÉRIO, COM ADOLESCENTES BRINCANDO DE MATAR GENTE, OFENDENDO A VIDA, DESTRUINDO O SONHO, INVIABILIZANDO O AMOR. SE A EDUCAÇÃO SOZINHA NÃO TRANSFORMAR A SOCIEDADE, SEM ELA TAMPOUCO A SOCIEDADE MUDA. Dá para aumentar o período escolar para integral, criar projetos e encaminhar essa geração que tá indo direto e cada vez mais cedo pro crime, para um caminho melhor. É só se mexer. Mas tem que ser rápido antes que as pessoas comecem a resolver o problema com as próprias mãos, do mesmo jeito dos dois policias. Estará declarada e feita a guerra.  

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