Gente que trabalha, gente que não trabalha

Deus me livre ter sido filha de uma geração de pais irresponsáveis como esses que estão andando por aí. Que o Brasil sofre de mão de obra qualificada, isso não é novidade. Mas a situação ficou tão agravada que eu não sei como é que tem gente conseguindo comer. Não tô falando de economia, inflação, nem que tudo tá tão caro a ponto das pessoas não conseguirem sobreviver. Também não tô falando que o Bolsa Família criou um monte de vagabundo, mas que fez a maioria dos brasileiros acharem que não precisam mais trabalhar, ah! isso fez.

Eu tô falando de gente que não quer trabalhar mesmo, de gente que não se sujeita acordar cedo, que não para em emprego nenhum. Tô falando de gente que coloca filho no mundo sem parar e sem ter uma estabilidade financeira, ou ao menos um emprego. Eu não consigo pensar que tem gente que não se preocupa em ter uma profissão, em ser alguém na vida, em sustentar sua escadinha de filhos dentro de casa e a si mesmo. Tem gente que dorme sem saber se vai ter dinheiro pra almoçar no outro dia. E dorme. Com a cabeça leve e tranquila. Dorme no ponto e nem vê a banda passar. A desculpa do desemprego não cola mais e a questão que tô batendo aqui não é ganhar pouco, É TER UM EMPREGO. Mais que isso. É TRABALHAR. Mais que isso. É TER RESPONSABILIDADE.

Oh geraçãozinha pra chegar atrasada no trabalho. Ninguém mais tá cumprindo horário, colocando a mão na massa. Tem gente faltando no trabalho igual faltava na escola. Esse bando de gente, além de irresponsável, não tolera mais nada, não quer resolver problema algum, não admite nada fora da linha. Na primeira dificuldade ou, então, basta uma cobrança, um puxão de orelha para não aparecerem mais no outro dia. Gente não se sujeita a fazer nada além da função que designaram na carteira de trabalho. Tá faltando vestir a camisa.
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O haitiano que encheu o tanque de combustível da minha moto me surpreendeu. Nunca antes alguém tinha segurado a bomba com um pano na ponta, limpado e tido tanto cuidado para não pingar gasolina ao redor da abertura do tanque. É brasileiros, se cuidem, tem muito haitiano ganhando de 10 a 0 em vocês por aí.
Após o terremoto que devastou o Haiti em 2010, muitos haitianos encontraram no Brasil a oportunidade que nunca tiveram em seu país, mesmo que para isso fosse preciso deixar a família e arriscar entrar ilegalmente em um país totalmente desconhecido. Tinham perdido quase tudo mesmo, mas restava esperança e força para recomeçar. Foi aí que o Brasil resolveu regular a situação e criar um visto humanitário. Ficava aí firmado o acordo de deixar os haitianos ocuparem o lugar dos brasileiros que não querem trabalhar. Em partes, o problema da mão de obra diminuiu. Até aí eu apoio a iniciativa brasileira, mas essa história não para por aí.

Os haitianos chegam ao Brasil pelo Acre. Lá é expedida a carteira de trabalho e eles são enviados para os demais estados brasileiros. Acontece que desde janeiro de 2010, quando o Brasil liberou a entrada, eles não param de chegar. Sem restrições, o número de haitianos já passou de 26 mil. Recentemente o governo do Acre encaminhou 41 ônibus de haitianos para São Paulo e os largou lá. O governo de São Paulo não sabe o que fazer. Não tem onde alojar esse número de pessoas e nem todos são aceitos nos empregos de imediato. O governo brasileiro nada fez para resolver a situação e nada tá fazendo. Ainda não barrou a entrada. O Brasil não tem estrutura para receber tanta gente. Não fez um planejamento.
E já tem problema social que chega pra querer pagar de queridinho e deixar mais de 20 mil pessoas entrarem no país sendo que não tem como abrigá-las. Essa coisa do Brasil querer pagar de queridinho não me desce. Em 2006, a Tropa de Elite do Exército Brasileiro pacificou a favela mais violenta do Haiti. Investimento de milhões. É que o Brasil não tem favela pra pacificar, não problema interno que tem que ir lá fora pagar de bonzinho.


Convivi com alguns haitianos e passei a admirá-los. Simpáticos, pontuais e esforçados. Estão resolvendo (em parte) o problema das empresas, mas se o Brasil não der uma segurada na entrada, daqui a pouco, os haitianos vão estar como uma bola de ping pong, sendo jogados de um estado para o outro. 

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